IX Cinema Mostra Aids
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2008 - Apresentação

IV Cinema Mostra Aids

Pouco mais de uma década depois da primeira seleção, Cinema Mostra Aids volta às telas em sua quarta edição. A iniciativa é mais uma vez do Grupo Pela Vidda/SP. O propósito do evento, apoiado pelo Espaço Unibanco de Cinema, pelos Programas Nacional, Estadual e Municipal de DST/Aids, dentre outros parceiros, continua sendo contribuir, por meio da produção cinematográfica, para o debate sobre a situação e os rumos da epidemia da aids.

Apesar de um longo período com projetos pontuais que investiram num retrato da aids, o acervo de títulos foi aos poucos aprimorando e aumentando seu escopo de gêneros. Documentários, dramas, melodramas, musicais e - impensável nos tempos mais sombrios - comédias românticas propiciam uma visão mais realista, seja por uma perspectiva ainda cruel em alguns países, seja por uma abordagem mais humanista e cotidiana das pessoas que vivem com HIV e aids.

Boa parte dos exemplos nesta quarta edição da mostra tem um caráter documental e investigativo, cujo resultado pode sugerir uma nova onda de pessimismo em relação à doença. E isto não está longe da verdade, como se pode ver em: Cinco Heróis, Ciclos da Vida - A História da Aids no Malaui ou Sensações - A História da Aids na Argentina. Porém, ainda que complementares à ideia de recorrência da doença, os títulos de ficção trazem otimismo ao abordar os sobreviventes da aids, pelo uso dos coquetéis.

Vale aqui apontar uma curiosidade desta atual seleção. Há vários filmes com a presença de negros, situação óbvia quando o título trata de um continente de maioria negra como a África, ou rara no caso de dramas de ficção como One Week, que sugere uma carência dessa comunidade em se ver retratada no tema.

Outro bom indicador é são produções que se voltam para o passado com um intuito quase nostálgico, na medida em que prestam homenagem aos que se foram no período mais triste da doença. Parece ser o caso do título americano Uma Casa no Fim do Mundo, com o astro Colin Farrell. Da produção nacional, Três Irmãos de Sangue, sobre Betinho, Henfil e Chico Mário, todos hemofílicos infectados por transfusão.

Em outros casos pinçados na programação, torna-se alentador saber que o cinema tem demonstrado que viver com HIV já é uma situação corriqueira. Ao fazer parte do cotidiano de uma sociedade, o tema deve ser tratado com naturalidade e humanidade. Não é mais a aids que determina o destino das pessoas e sim estas que aprenderam a conviver e a enfrentar a doença, apesar das injustiças e das desigualdades no acesso a tratamento e prevenção.

Há documentários que denunciam crises e omissões; filmes que trazem dilemas éticos, crises existenciais e abordagens polêmicas; curtas e longas metragens que revelam personagens movidos pela culpa, pelo medo, pela indiferença, pelas fraquezas humanas, mas também pela garra, esperança e alegria de viver. São jovens e adolescentes (nos dois documentários dirigidos por Mauro Dahmer, para a MTV), gays (em A Viagem, e em Sem Garantia de Validade), prostitutas (em Princesas), atores pornôs, comerciantes de sangue e freiras (em Unidos pelo Sangue), um paciente terminal (em O Evento), entre tantos outros personagens que compõem a seleção desta mostra.

São Paulo, abril de 2008.


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IX Cinema Mostra Aids
de 26 a 28 de novembro de 2013 no Cine Olido / de 27 de novembro a 1º de dezembro no Centro Cultural São Paulo