IX Cinema Mostra Aids
Realização:
Apresentação
Filmes
Programação
Expediente
Biblioteca de Filmes
Mostras Anteriores
Home / 2010 - Apresentação
2010 - Apresentação

VI Cinema Mostra Aids

A Cinema Mostra Aids chega a sua sexta edição com algumas novidades no que toca a abordagem. Dos 25 títulos reunidos este ano, entre longas, médias e curtas-metragens, percebe-se o grande desafio em relação à consciência e à redução da disseminação do vírus HIV. São produções que procuram chamar novamente à ordem do dia o impacto da aids na sociedade e na vida das pessoas.

Os documentários dominam a reflexão sobre o tema. São nada menos que quinze na programação. Os demais títulos com frequência se valem da linguagem documental como ponto de partida e realizam o que se convencionou chamar de “docudrama”, ou seja, representam uma história verídica com atores e encenação ficcional.

Nunca é demais lembrar o caminho titubeante da doença pelas telas de Hollywood. A indústria do cinema mundial começou tropeçando, reticente, na acolhida dos primeiros soropositivos e apenas em 1993 avançou sobre os personagens com Filadélfia, oito anos depois da morte de Rock Hudson, estrela emblemática. Depois disso, salvo raras exceções, o cinema comercial americano se calou. Um respiro costuma vir das produções para televisão, de olhares alternativos como o “docudrama” Pedro, produção da MTV presente na mostra.

Assim, coube ao cinema independente, ainda dentro dos Estados Unidos, e à produção europeia, cutucar o estigma. Depois de enfocar o início da epidemia, suas consequências definitivas e as esperanças iniciais de tratamento em inúmeros títulos, o cinema europeu pode agora fazer um balanço de décadas da aids, intenção tanto da ficção francesa Clara e Eu como do alentado documentário italiano O Sexo Confuso – Contos de Mundos na Era Aids, realizado em 2010. De modo direto ou indireto, trata-se aqui da possibilidade de convivência com o HIV em função dos medicamentos disponíveis e como a opção se reflete nas relações afetivas, por exemplo.

Em produções como Ruas da Amargura, de Portugal, e Escritórios de Deus, da França, não é necessário mais explicitar a doença para saber que ela ronda o universo de jovens na descoberta do sexo e mulheres maduras que, sem acesso à prevenção, engravidam de parceiros ocasionais. Ou ainda, num universo de marginalização, o caso de usuários de drogas, prostitutas e travestis. O mal agora integra um mesmo “pacote” de perigos sexualmente transmissíveis, para os quais a camisinha ainda é melhor arma, embora nem sempre seja usada.

Essa mesma preocupação pode ser estendida para a América Latina, na representação pontual do documentário peruano Translatina. O contraponto radical desse estado de consciência, porém, ainda são sociedades menos esclarecidas, como atesta outra investigação documental, No Limite – Seis Capítulos sobre a Aids na Ucrânia, país com meio milhão de infectados e subindo na escala devido aos tóxicos, à miséria e às instituições corruptas.

Entre os brasileiros, destaca-se Estou com aids, realizado em 1985 por um ícone da pornochanchada, o ator e diretor David Cardoso. Feito na urgência de anunciar a um público específico a epidemia que então se alastrava, vitimando inclusive integrantes da chamada Boca do Lixo, o filme lança mão de depoimentos, reportagens e encenações ficcionais sobre as condições consideradas recorrentes para a propagação do vírus. Uma comparação instigante, sem dúvida, com propostas atuais, com o curta documental Under the Skin (Sob a Pele), sobre um jovem gay e seu conflito com a identidade sexual e a descoberta do vírus.

O Brasil apresenta criatividade no jeito de abordar a eficiência do preservativo no inspirado O Auto da Camisinha. Note-se que, mesmo depois de maciças campanhas de esclarecimento, esse instrumento de prevenção ainda é tabu em muitos territórios. A África continua campeã na disseminação da doença em grande parte pela desinformação ou recusa dos homens em adotar a prevenção, retrato que é evidente na porção do continente que fala português. Dois dos três filmes de Moçambique assinados pelo diretor Sol de Oliveira contemplam a juventude, alvo também da ficção Cartão Amarelo, do Zimbábue, que confere uma dimensão preocupante quanto às novas gerações. Também Quênia, Ruanda, Tanzânia e Uganda estão representados, mostrando as circunstâncias especialmente penosas para as mulheres, ao mesmo tempo atingidas pelo HIV e pela violência de seus parceiros.

O curta Um Genocídio Silencioso – Um Breve Olhar no HIV/Aids) e o média-metragem Fora de Controle – Aids na América Negra) falam da enorme incidência da doença entre a população negra dos Estados Unidos, prova de que uma enfermidade dessa gravidade não respeita fronteiras nem status econômico ou social. Há também o registro de ações louváveis, como a dos jovens que cruzam os estados americanos para esclarecer jovens mais novos sobre a aids, em Road to Hope. É esse conjunto de conflitos e atitudes de esperança que o Grupo Pela Vidda/SP divide novamente com os espectadores.

São Paulo, agosto de 2010.


<< Voltar

IX Cinema Mostra Aids
de 26 a 28 de novembro de 2013 no Cine Olido / de 27 de novembro a 1º de dezembro no Centro Cultural São Paulo