IX Cinema Mostra Aids
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2011 - Apresentação

VII Cinema Mostra Aids

Um mal de dimensão trágica e global como a aids pode e deve ser visto também na sua escala individual, ou seja, sem esquecer que por trás das tristes estatísticas escondem-se dramas humanos. Há 22 anos em cena no combate à doença, o Grupo Pela Vidda/SP apresenta estes dramas humanos por meio de filmes, dando uma cara aos três milhões de pessoas que anualmente se juntam ao contingente de soropositivos no mundo. Esta sétima edição do Cinema Mostra Aids vem justamente sublinhar individualidades com títulos de documentário e ficção, em curta, média e longa-metragem, que contribuem para a discussão, reflexão e alerta.

A aids é discutida no mundo das celebridades em dois documentários que investigam a trajetória de nomes emblemáticos: Rock Hudson – Belo e Enigmático e O Universo de Keith Haring. Mito viril de Hollywood, Hudson protagonizou o mais ingrato papel de sua carreira na fase final de vida, quando a infecção pelo HIV e a homossexualidade tomou o lugar das fofocas prosaicas nas manchetes dos jornais. O ator morreu em 1985 em decorrência da aids para surpresa geral dos fãs. O artista plástico pop Keith Haring descobriu-se soropositivo em 1990. Por transitar num meio menos popular que o cinema, liberal o bastante para poder se assumir gay, Haring conseguiu colocar em marcha um corajoso trabalho de esclarecimento e prevenção da doença ao abrir uma fundação.

Figuras à margem estão representadas em três documentários. Aids e Preconceito – Ou a Pernalonga da História é um deles. O ator pernambucano Antonio Roberto de Lira França, o Pernalonga, foi esfaqueado numa madrugada e não recebeu ajuda imediata de moradores e testemunhas, temerosos da doença. O filme Janaína Dutra – Uma Dama de Ferro e Meu Amigo Claudia contam, respectivamente, a história da cearense Janaína, a primeira travesti a conseguir a carteira da OAB, e de Claudia, ou Marco Antonio Abrão, que conquistou a fama como Claudia Wonder, ícone da noite alternativa paulistana, e morreu em 2010, aos 55 anos, em decorrência da aids.

A mostra exibe também o documentário brasileiro Estão Voltando as Flores, trabalho de conclusão de curso universitário, que trata de um tema ainda não muito explorado, a aids em pacientes acima de 50 anos, a partia da história de 5 soropositivos. Um dos depoentes é Norberto Bossolani, coordenador do Grupo Pela Vidda/SP, morto em novembro em 2010, aos 77 anos.

Entre os representantes estrangeiros, Estado de Negação, outro registro documental. Na virada do milênio, o presidente da África do Sul questionava se o HIV era o real causador da aids. A partir deste questionamento sem propósito, o filme parte para uma investigação sobre a patente dos primeiros medicamentos que possibilitaram a convivência com a doença. Condição, aliás, muito bem explicitada quase uma década depois por Amor no Tempo do HIV, que apresenta a vida de cinco personagens soropositivos, adaptados a uma vida regular e com direito a constituir família.

Não que as circunstâncias deixaram de ser dramáticas, ou não exijam olhar atento e cuidados redobrados. Exemplos como a da jovem inglesa em A História de Rachel, vítima da dependência de heroína, sinalizam a dificuldade da classe média em lidar com temas tabus como drogas e sexo. O quadro apresentado pelo filme israelense De Mãos Atadas mostra a luta de uma mãe por seu filho soropositivo e gay, que faz tudo para aliviar a dor daquele que é quase um desconhecido dentro de sua casa.

São Paulo, agosto de 2011.


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IX Cinema Mostra Aids
de 26 a 28 de novembro de 2013 no Cine Olido / de 27 de novembro a 1º de dezembro no Centro Cultural São Paulo