IX Cinema Mostra Aids
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2010 - Filmes
ACT UP – MUDANDO A DEFINIÇÃO DE AIDS
(Act Up Oral History Project, 2009, EUA, 27 min)
Direção: James Wentzy e Jim Hubbard.
Exibido na VII Cinema Mostra Aids (2011).

Em 1987, um grupo de aproximadamente trezentos ativistas homossexuais formou em Nova York o Aids Coalition to Unleash Power, ou Act Up. Organizavam protestos e iniciativas de esclarecimento sobre a doença, com alvo principalmente na legislação, pesquisa médica, tratamento e política de saúde. A atividade pioneira foi fundamental para mudar o conceito em torno da aids. Este documentário, parte do programa maior Act Up – Oral History Project, contempla a situação das mulheres infectadas pelo vírus, lésbicas ou não, assim como usuárias de drogas. Ao mesmo tempo em que relembram os preconceitos e barreiras nos anos 80, as ativistas Marion Banzhaf, Heidi Dorow, Maxime Wolfe e Terry McGovern comentam em seus depoimentos a coragem do Act Up, modelo que se tornou referência para o mundo no combate à aids.

 

O AUTO DA CAMISINHA
(Brasil, 2009, 49 min)
Direção: Clébio Viriato Ribeiro
Exibido na VI Cinema Mostra Aids (2010).

Com assumida proposta educativa, o média-metragem lança mão do formato de “auto”, ou seja, de texto poético teatral, além de criatividade e bom-humor, para abordar a questão do uso da camisinha. O diretor cearense Clébio Viriato Ribeiro adaptou obra do conterrâneo José Mapurunga, já apresentada por ele no teatro, e somou ainda recursos de animação e fantasia. Na pequena cidade de Juatama, os moradores se preparam para receber na festa de São João o respeitado estudioso Quarto Bezorro (Carri Costa), especialista que irá decidir se o vilarejo se tornará ou não Patrimônio do Folclore Mundial. A programação do evento inclui a montagem de uma peça com os personagens Benedito (Brasilino Freitas) e Lionor (Nadia Aguiar), fogosa atriz e talento múltiplo local por quem logo o visitante se interessa. Em cena acontece o embate do casal, ele disposto a tudo para levá-la para cama e ela determinada a só ceder se o dito usar camisinha. Sem entender o que é o tal objeto, Benedito procura a costureira e seu padrinho (participação especial de Chico Anysio) para pedir a eles explicações, momentos em que a câmera abandona o pequeno palco e mistura a “realidade” do filme com o teatro. O protagonista ainda se verá dividido entre a tentação do diabo e os conselhos de seu anjo da guarda, este numa hilária participação de Gero Camilo.

 

BAILÃO
(Brasil, 2009, 16 min)
Direção: Marcelo Caetano.
Exibido na VI Cinema Mostra Aids (2010).

A aids é, direta ou indiretamente, definidora na vida dos personagens deste curta, homossexuais maduros que assistiram ao surgimento do HIV e perderam amigos, parceiros ou conhecidos. O ponto de partida do filme é o endereço noturno do título, uma tradicional boate no centro de São Paulo frequentada por gays mais velhos. No formato de memória poética, que caminha até os anos 1940, alguns desses clientes relatam como lidavam com a orientação sexual num momento tabu, em que os homossexuais ficavam restritos a cinemas e outros poucos redutos da comunidade.

 

CARTÃO AMARELO
(Yellow Card, Zimbábue, 2000, 90 min)
Direção: John Riber.
Exibido na VI Cinema Mostra Aids (2010).

O longa-metragem do diretor John Riber, que assina o roteiro em parceria com Andrew Whaley, contempla a geração mais vulnerável ao vírus HIV na África. Quase um terço de soropositivos do continente tem idade entre 15 e 24 anos. Sexo sem camisinha, a gravidez precoce e inesperada, o aborto, além de demais doenças transmitidas sexualmente também são temas tratados neste filme. É nesse universo que encontraremos o jovem de 17 anos Tyiane (Leroy Gopal), jogador de futebol na periferia de Harare, capital do Zimbábue. Estudante exemplar e orgulho da família, ele é um herói local para as crianças e tipo popular entre as garotas. Uma delas é Linda (Ratidzo Mambo), que engravida dele. Mas o rapaz está mais interessado em Juliet (Kasamba Mkumba), jovem rica e envolvente, e rejeita a outra. Decepcionada, Tyiane terá que enfrentar as consequências em casa, na escola e no time, enquanto convive com um de seus melhores amigos que se descobre soropositivo.

 

CLARA E EU
(Clara et Moi, França, 2004, 86 min)
Direção: Arnaud Viard.
Exibido na V Cinema Mostra Aids (2009) e na VI Cinema Mostra Aids (2010).

Idealista e eternamente insatisfeito, Antoine tem 33 anos e está à procura de um grande amor, até que conhece Clara. O relacionamento dos dois passa por uma reviravolta quando os dois decidem, juntos, fazer o teste do HIV. Esta comédia romântica mostra que a moral da história é que vida pode não ser tão simples quanto parece, pois sempre há provas para as quais podemos não estar totalmente preparados.

 

ESTOU COM AIDS
(Brasil, 1985, 71 min)
Direção: David Cardoso.
Exibido na VI Cinema Mostra Aids (2010).

É o primeiro filme brasileiro que tem como foco a aids. O ator, diretor e produtor David Cardoso, figura central da chamada pornochanchada, se lançou no projeto no início da epidemia, quando o cenário ainda nebuloso sobre a doença permitia especulações e equívocos. Numa mistura de documentário e ficção, ele faz da imprensa seu ponto de partida. Ainda nesse momento, a descoberta da doença pela opinião pública muitas vezes coincidia com a revelação da homossexualidade da vítima. Uma das confusões geradas no período dizia respeito ao hemofílico, carimbado como gay. Direto no trato e sem subterfúgios, Cardoso entrevista artistas, políticos, esportistas e anônimos. Ao mesmo tempo, quadros dramáticos esboçam situações recorrentes, a exemplo do jovem do interior, que chega à cidade e se torna garoto de programa; da empregada doméstica (Débora Muniz, musa pornô), que aceita o sexo grupal proposto pelo patrão; do milionário casado e suas escapadas; e mesmo de uma criança soropositiva expulsa da escola. Sem esquecer sua origem, o diretor leva a discussão para um set da Boca do Lixo.

 

ESTRADA PARA A ESPERANÇA
(Road to Hope, Estados Unidos, 2005, 75 min)
Direção: Leslie Marie Cannon.
Exibido na VI Cinema Mostra Aids (2010).

A organização americana de combate ao HIV/Aids Hope’s Voice foi criada em 2004 por Todd Murray com o objetivo de esclarecer os jovens sobre o tema. No ano seguinte, uma campanha nacional com o apoio de diversas entidades e empresas incluiu uma turnê por 22 universidades de todo o país. Este documentário acompanha os primeiros quatro jovens voluntários encarregados de contar suas experiências como soropositivos aos alunos, além de Murray. Ao mesmo tempo em que são vistos em ação, Amira Hikin, Duane Quintana, Lantz Smith e Marvelyn Brown dão depoimento sobre seus conflitos pessoais com a doença, a descoberta da homossexualidade, a difícil relação com a família e a convivência com o HIV. Nos encontros com os estudantes, em vez de conselhos ou cuidados práticos, os palestrantes preferem um relato informal e uma conversa franca sobre o que vivenciam.

 

FLORDELIS - BASTA UMA PALAVRA PARA MUDAR
(Brasil, 2009, 100 min)
Direção: Marco Antonio Ferraz e Anderson Correa.
Exibido na VI Cinema Mostra Aids (2010).

Num misto de documentário e ficção, o filme conta a história real de Flordelis, professora criada na favela carioca do Jacarezinho, que passou a ajudar crianças e jovens a evitar a marginalidade. Enquanto a “mãe Flor” narra sua própria trajetória, que
inclui a fuga com sua prole adotada e a perseguição da polícia, atores famosos, como Reynaldo Giannechini, Déborah Secco, Letícia Spiller, Cauã Reymond, Marcelo Antony e Letícia Sabatella interpretam alguns dos personagens acolhidos por ela. Entre eles, um ex-líder de facção que vira advogado, um viciado em drogas regenerado, uma jovem milionária que testemunhou e quase sucumbiu a um acerto de contas do tráfico e a prostituta que adquiriu o vírus HIV.

 

FORA DO CONTROLE - AIDS NA AMÉRICA NEGRA
(Out of Control - Aids in Black America, Estados Unidos, 2006, 45 min)
Direção: Elizabeth Arledge.
Exibido na VI Cinema Mostra Aids (2010).

O respeitado jornalista americano Peter Jennings se dedicava ao especial de TV por ele idealizado, quando morreu de câncer em 2005. A equipe da rede ABC deu segmento ao projeto e manteve a passagem em que o âncora entrevista um grupo de negros soropositivos em Atlanta. A intenção aqui é revelar o quanto a população americana afrodescendente é mais suscetível ao vírus HIV, tese sustentada por estatísticas e depoimentos, além de reportagens em vários estados norte-americanos. Baseado numa pesquisa de 2003, o número de infectados pela doença no país contabilizava 1.039.000, sendo que desses a metade era de homens negros. A partir desse painel trágico, a investigação ouve representantes de entidades do governo, ONGs, penitenciárias – onde a distribuição de preservativos é proibida – e, especialmente, comunidades religiosas e seus principais líderes, já que eles são vozes influentes no esclarecimento da aids para os núcleos negros. Boas conversas informais, a exemplo do grupo de mulheres debatendo as razões dos homens serem reticentes a precauções básicas, complementam o formato tradicional de um programa para televisão.

 

UM GENOCÍDIO SILENCIOSO - UM BREVE OLHAR NO HIV/AIDS
(A Silent Genocide – A Brief Insight into HIV/AIDS, Estados Unidos, 2009, 10 min)
Direção: Tantra Zawadi e Oliver Covrett.
Exibido na VI Cinema Mostra Aids (2010).

Poeta, escritora e performer americana, Tantra Zawadi é a anfitriã deste filme sobre como a aids avança sobre a população de ascendência afro na região de Nova York. Ao mesmo tempo em que aproveita um evento público para entrevistar anônimos, ela conversa com especialistas sobre o tema, a exemplo da fundadora do Girl Child Network Worldwide, Betty Makoni. O curta apresenta alguns dados, como o fato dos condados de Nassau e Sufolk, em Long Island, reunirem o maior número de infectados entre todos os 26 estados americanos. Para contrabalançar as duras revelações, o filme apresenta poesias de jovens autores.

 

GORETTI
(França/Ruanda, 2005, 14 min)
Direção: Diane Igirimbabazi.
Exibido na VI Cinema Mostra Aids (2010).

A protagonista do curta-metragem documental é Dushimimana Marie Goretti, garota de 16 anos que toma conta dos cinco irmãos pequenos num casebre em Ruanda. Chamados de “órfãos da aids”, eles perderam os pais, profissionais da escola local, em função da doença e agora tentam sobreviver. No cotidiano, as crianças sofrem com a falta de comida, o preconceito entre os colegas e ainda correm o risco de perder a casa. Um deles, Obed, já foi diagnosticado soropositivo. Enquanto Goretti dá seu depoimento, a câmera acompanha os personagens em brincadeiras, cantorias e se preparando para a aula.

 

O INCÊNDIO
(The Bushfire, Quênia, 2001, 60 min)
Direção: Stephen Makau
Exibido na VI Cinema Mostra Aids (2010).

Essa ficção fala de modo direto e didático aos jovens sobre a proliferação do HIV num país africano pobre e carente de informações como o Quênia. Sua protagonista é Nadi, garota que acaba de se formar no colégio com excelentes resultados e vista pelos pais como a esperança para tirá-los da miséria. Nadi sabe da responsabilidade e sonha em ser piloto. Uma possibilidade de começar a construir o futuro aparece com a colega de escola Tabu. Jovem ativa sexualmente e com muitos namorados, ela se dá conta que pode ganhar dinheiro com o corpo e acaba contraindo o HIV do pastor local. Enquanto continua a manter relações sexuais indiscriminadamente, Tabu atrai Nadi para uma cilada com dois homens, fingindo se tratar apenas de um passeio. Em meio a ação dramática, o filme questiona a postura nem sempre séria de algumas instituições no que se refere à aids.

 

O JARDIM DO OUTRO HOMEM
(Le Jardin d´ um Autre Homme, Moçambique/França, 2006, 80 min)
Direção: Sol de Carvalho.
Exibido na V Cinema Mostra Aids (2009) e na VI Cinema Mostra Aids (2010).

Aos 19 anos, Sofia vive num subúrbio pobre de Maputo, em Moçambique, onde passa diariamente por enormes dificuldades para prosseguir os estudos, única alternativa para chegar à universidade e realizar seu grande sonho: ser médica. Os obstáculos da jovem aumentam, sobretudo quando ela se percebe vítima de assédio por parte de um professor, possivelmente infectado com o HIV. Ele não hesita ao manipular o resultado do exame para conseguir, a qualquer preço, o que deseja.

 

NO LIMITE - SEIS CAPÍTULOS SOBRE A AIDS NA UCRÂNIA
(Am Rande – Sechs Kapitel über Aids in der Ukraine, Alemanha/Ucrânia, 2006, 105 min)
Direção: Karsten Hein.
Exibido na VI Cinema Mostra Aids (2010).

Na ex-república soviética da Ucrânia, um por cento da população está infectado pelo vírus HIV, o que representa meio milhão de pessoas. O documentário de produção alemã contempla o leste do país, onde estão cidades como Donezk, e registra como principais vítimas os dependente de drogas, além de prostitutas e crianças. Uma tese de base social justifica boa parte do alastramento da doença, na medida em que o fim do bloco socialista gerou desemprego, miséria e principalmente deixou muitos cidadãos à deriva, sem esperança e, portanto, presas fáceis dos tóxicos pesados. Entre esses está a chamada “schirka”, espécie de ópio que pode ser preparado em casa. O filme mostra também a ação das milícias, que atuam na distribuição das drogas, a corrupção política e o alto índice de alcoolismo da população.

 

AS OFICINAS DE DEUS
(Les Bureaux de Dieu, França, 2008, 119 min)
Direção: Claire Simon.
Exibido na VI Cinema Mostra Aids (2010).

No final dos anos 90, a diretora Claire Simon conheceu um centro de planejamento familiar de uma cidade no interior da França. Ficou impressionada com os fatos e as situações que testemunhou e pediu para registrar num gravador as conversas entre a equipe de aconselhamento, formada na maioria por mulheres, e seus pacientes, também em geral do sexo feminino. O material gerou anos depois o roteiro deste filme de ficção com lastro documental, com intérpretes de referência do cinema francês, como Nathalie Baye e Michel Boujenah. O endereço agora é Paris e o serviço gratuito do governo orienta desde a primeira menstruação até a decisão de aborto. As conselheiras ouvem casos como da jovem Djamila, que quer tomar pílula anticoncepcional. Ou de Zoé e Nejma, em dificuldades com as respectivas mães por terem sido descobertas com camisinhas e pílulas. Há jovens que reclamam de serem férteis demais e outras de não conseguirem engravidar. Entre cuidados e conselhos práticos, as atendentes também oferecem apoio psicológico às pacientes de todas as idades.

 

PAPEL NÃO EMBRULHA BRASAS
(Le Papier Ne Peut pas Envelopper la Braise, França/Camboja, 2006, 90 min)
Direção: Rithy Panh.
Exibido na VI Cinema Mostra Aids (2010).

Num conjunto habitacional degradado de Phnom Penh, capital do Camboja, convivem garotas que vieram de pequenas aldeias para se prostituir. O cotidiano delas à luz do dia, antes de partirem para o trabalho nas ruas, é acompanhado pela câmera do cambojano radicado em Paris Rithy Pahn. Ele registra o cotidiano marcado por atitudes recorrentes, como uma refeição ou o balanço financeiro da noite anterior, e principalmente as conversas que mostram as dificuldades e amarguras das moças. São temas como a saudade de casa, os maus- tratos dos clientes, as brigas com a cafetina e o medo das doenças, especialmente a aids, que já vitima uma colega. Mas a franqueza com que se mostram para as lentes faz das jovens e suas vidas quase uma ficção trágica, também assombrada pelo regime de horror do Khmer Vermelho, partido comunista que atuou no país e perpetrou massacres.

 

PEDRO
(EUA, 2008, cor, 90 min)
Direção: Nick Oceano.
Exibido na VI Cinema Mostra Aids (2010) e na VII Cinema Mostra Aids (2011).

A história verídica dramatizada com atores, o que se convencionou chamar “docudrama”, conta a trajetória do cubano Pedro Zamora (1972-1994), o primeiro homossexual soropositivo a participar de um reality show na televisão americana. Em 1994, a audiência da MTV acompanhou os desdobramentos de uma nova temporada do programa The Real World, encenado numa casa em São Francisco, na qual jovens conviviam. Ao assumir sua doença, ainda em fase inicial, e discutir sobre ela abertamente no ar, Zamora (interpretado por Alex Loynaz) se tornou celebridade. A fama intensificou seu papel de ativista e educador em prol do esclarecimento da aids em todo país. O filme mostra a trajetória do caçula de uma numerosa família em Cuba, a mudança para Miami e a descoberta da homossexualidade e do HIV.

 

POSITIVAS
(Brasil, 2009, 78 min)
Direção: Susanna Lira.
Exibido na VI Cinema Mostra Aids (2010).

O título do documentário sugere de imediato o tema e os personagens em questão. Mas as mulheres soropositivas retratadas pelo filme têm uma peculiaridade no universo dos infectados pelo HIV. Todas adquiriram o vírus dos maridos ou parceiros fixos de longa data e convivem com a doença há pelo menos uma década. Moradoras de várias capitais do país, de Salvador a Porto Alegre, Rosária, Medianeira, Cida, Heli, entre outras, contam o drama da descoberta da doença, o impacto da notícia no círculo familiar, profissional e pessoal, além do esforço natural de sobrevivência com os medicamentos. Alertam, principalmente, quanto ao perigo do uso de drogas pelos parceiros e a dificuldade em adotar o preservativo. Há também relatos de violência doméstica quando o tema é a camisinha. Não por acaso, a maioria dessas personagens tornaram-se ativistas influentes nas comunidades em que vivem.

 

PREGOS NA CABEÇA
(Moçambique, 2004, 32 min)
Direção: Sol de Carvalho.
Exibido na VI Cinema Mostra Aids (2010).

A partir de situações reais, o média-metragem moçambicano dramatiza a experiência de operários da construção civil na difícil convivência com a aids. O empregado Fumo (Elliot Alex) trabalha na obra de um prédio para sustentar mulher e filhos quando se descobre fraco e doente. No hospital, submetido a exames, não lhe esclarecem sobre sua real condição e ele, impossibilitado de ler o resultado por ser analfabeto, acredita tratar-se de malária. Sua debilidade aumenta e ele causa acidentes no canteiro, o que leva a revolta de colegas. Ao ser informado pela chefia que é soropositivo, Fumo acaba por ser demitido com falsas justificativas. O status institucional da produção, que é assinada pelo governo do país junto com entidades do setor de construção e ONGs, fica claro quando se discute o desrespeito às leis que amparam trabalhadores na situação de portadores do HIV. Também está em foco a precariedade e corrupção do serviço de saúde pública.

 

RUAS DA AMARGURA
(Portugal, 2008, 108 min)
Direção: Rui Simões.
Exibido na VI Cinema Mostra Aids (2010).

Os personagens do documentário são moradores de rua de Lisboa. Sofrem com alcoolismo, vício das drogas e problemas psicológicos. Na intenção de dar voz e dignidade a esses excluídos, o veterano cineasta português Rui Simões não aborda a aids de modo direto, mas não deixa de sugerir o risco a que estão expostos, por exemplo, as travestis brasileiras. Há, nas ruas, também os voluntários, assistentes sociais e técnicos diversos que constroem e mantêm estruturas de apoio, alguns acreditando em dias melhores, outros apenas institucionalizando a ajuda, sem muitas esperanças.

 

SASA!
(Sasa! A film About Women, Violence and HIV/AIDS, Canadá/Uganda/Tanzânia, 2007, 30 min)
Direção: Chanda Chevannes.
Exibido na VI Cinema Mostra Aids (2010).

O subtítulo do documentário é “um filme sobre mulheres, violência e HIV/Aids”. Esse três pontos convergem na África Subsariana de uma forma talvez pouco conhecida e divulgada, daí a urgência que traz a palavra “sasa”, “agora” no idioma suaíli. Na abertura, explica-se que as chamadas sessões de aconselhamento, quando maridos e mulheres se encontram com profissionais para resolver problemas conjugais, foram recriadas para o filme. As mulheres daquela região, formada pela Tanzânia e Uganda, representam uma população de 60% de infectados pelo HIV, a maioria pelo próprio marido, já que estes se negam a se proteger com camisinha ou mesmo a fazer o teste para saber se têm ou não o vírus. Ao demonstrarem medo, desconfiança, ou simplesmente não aceitarem ter relações sexuais, elas acabam por sofrer violência física. O drama é relatado eminentemente por duas vítimas soropositivas, mas também são ouvidos homens que justificam seus atos.

 

+ ou – O SEXO CONFUSO – CONTOS DA ERA AIDS
(Il Sesso Confuso – Racconti di Mondi nell’era Aids, Itália, 2010, 93 min)
Direção: Andrea Adriatico e Giulio Maria Corbelli.
Exibido na VI Cinema Mostra Aids (2010).

Este painel documental das três décadas de convivência dos italianos com a aids começa, na verdade, nos anos 1970. A dupla de diretores recua um pouco no histórico da doença para apontar como aquele momento de liberdade sexual e intenso consumo de drogas abriu caminho para a disseminação, dez anos depois, do HIV entre a população jovem, especialmente os grupos homossexuais e viciados. Em depoimentos, soropositivos e especialistas, como cientistas, médicos, psiquiatras, além de ativistas e um padre, ajudam a amarrar o percurso da doença, de seu pico nos anos 1980 ao aparecimento das primeiras medicações na década seguinte. Os anos 2000 surgem como o período de convivência e de novos e polêmicos procedimentos no cenário da aids, a exemplo do chamado barebacking, o sexo deliberado e sem proteção com infectados pelo HIV, com o intuito de adquirir o vírus.

 

AS TEIAS DA ARANHA
(Moçambique, 2007, 105 min)
Direção: Sol de Carvalho.
Exibido na VI Cinema Mostra Aids (2010).

Realizado como minissérie para a televisão moçambicana TVM, a ficção tem como alvo uma juventude às voltas com questões típicas da idade, como namoro, casamento, diversão e ambição. Adiciona-se a esse quadro a aids, que irrompe na vida do trio principal de protagonistas. Num bairro modesto da cidade de Beira, em Moçambique, Alice (Amélia Luis) está dividida entre o interesse do esforçado jovem Camilo (Chifite Chaúque) e do sedutor, mas instável, Mariano (Besnev Matezo), seu ex-namorado e ainda pretendente. Este último conta com o apoio dos pais de Alice, enquanto Camilo não é visto com bons olhos. Não bastasse a indefinição da moça, ela descobre-se grávida e portadora do HIV. Para sustentar o formato de novela, o filme ainda enreda outros temas e personagens, como a quadrilha de contrabandistas com a qual Mariano colabora e a maternal dona de bar Constância (Ana Magaia).

 

TRANSLATINA
(Peru, 2009, 93 min)
Direção: Felipe Degregori.
Exibido na VI Cinema Mostra Aids (2010).

A aids é somente mais um problema a ser enfrentado pelas transexuais e travestis dos países latinos de língua espanhola, principais personagens do filme. Produzido a partir do Peru, cenário principal das entrevistas e discussões, contempla ainda Argentina, Bolívia, Chile, Costa Rica, Cuba, El Salvador, Equador, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Uruguai, e mesmo o Brasil, representado pelo “portunhol” da personagem Liza Minelli. Assim como ela, vários entrevistados militam pela causa destes excluídos sociais em organizações não governamentais e associações de ajuda. Boa parte dos depoentes são soropositivos e relatam suas experiências pessoais, familiares e de descoberta da doença. Mas para além do HIV, enfrentam ainda a violência tanto por parte de clientes como da polícia; o preconceito em círculos sociais, como a escola; e a dificuldade de conseguir um emprego convencional.

 

UNDER THE SKIN
(Brasil, 2010, cor, 7 min)
Direção: Silvia Lourenço e Sabrina Greve.
Exibido na VI Cinema Mostra Aids (2010) e na VII Cinema Mostra Aids (2011).

O curta-metragem integra o projeto de doze episódios Fucking Different São Paulo, co- produção Brasil e Alemanha, selecionado para a mostra paralela Panorama do Festival de Berlim 2010. Atriz premiada, Silvia Lourenço (Quanto Dura o Amor?) uniu-se a outra jovem intérprete reconhecida, Sabrina Greve, para registrar o depoimento de um rapaz que descobre ser possível conviver bem com o vírus HIV. Miguel Dias conta como se reconheceu homossexual ainda adolescente; a primeira transa aos 19 anos; e a dificuldade de se revelar aos pais. Produção do alemão Kristian Petersen, a iniciativa com diversos diretores nasceu de oficinas no Festival Mix Brasil.

 


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IX Cinema Mostra Aids
de 26 a 28 de novembro de 2013 no Cine Olido / de 27 de novembro a 1º de dezembro no Centro Cultural São Paulo