IX Cinema Mostra Aids
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2011 - Filmes
PEDRO
(EUA, 2008, cor, 90 min)
Direção: Nick Oceano.
Exibido na VI Cinema Mostra Aids (2010) e na VII Cinema Mostra Aids (2011).

A história verídica dramatizada com atores, o que se convencionou chamar “docudrama”, conta a trajetória do cubano Pedro Zamora (1972-1994), o primeiro homossexual soropositivo a participar de um reality show na televisão americana. Em 1994, a audiência da MTV acompanhou os desdobramentos de uma nova temporada do programa The Real World, encenado numa casa em São Francisco, na qual jovens conviviam. Ao assumir sua doença, ainda em fase inicial, e discutir sobre ela abertamente no ar, Zamora (interpretado por Alex Loynaz) se tornou celebridade. A fama intensificou seu papel de ativista e educador em prol do esclarecimento da aids em todo país. O filme mostra a trajetória do caçula de uma numerosa família em Cuba, a mudança para Miami e a descoberta da homossexualidade e do HIV.

 

SEXO POSITIVO
(Sex Positive, Estados Unidos – 2008 - 76 min)
Direção: Daryl Wein.
Exibido na V Cinema Mostra Aids (2009) e na VII Cinema Mostra Aids (2011).

A trajetória de Richard Berkowitz, ativista gay revolucionário nos anos 1980, é o tema deste documentário. Profissional do sexo, Berkowitz emergiu do epicentro da epidemia como um líder da comunidade gay norte-americana, divulgando a importância do sexo seguro. Ele atua junto com dois outros personagens fundamentais na história: Joseph Sonnabend, um virologista, e o músico Michael Callen. Juntos, mostram que as práticas sexuais mais seguras eram fundamentais para que não se desistisse do sexo completamente.

 

UNDER THE SKIN
(Brasil, 2010, cor, 7 min)
Direção: Silvia Lourenço e Sabrina Greve.
Exibido na VI Cinema Mostra Aids (2010) e na VII Cinema Mostra Aids (2011).

O curta-metragem integra o projeto de doze episódios Fucking Different São Paulo, co- produção Brasil e Alemanha, selecionado para a mostra paralela Panorama do Festival de Berlim 2010. Atriz premiada, Silvia Lourenço (Quanto Dura o Amor?) uniu-se a outra jovem intérprete reconhecida, Sabrina Greve, para registrar o depoimento de um rapaz que descobre ser possível conviver bem com o vírus HIV. Miguel Dias conta como se reconheceu homossexual ainda adolescente; a primeira transa aos 19 anos; e a dificuldade de se revelar aos pais. Produção do alemão Kristian Petersen, a iniciativa com diversos diretores nasceu de oficinas no Festival Mix Brasil.

 

68 PÁGINAS
(Índia, 2007, 92 min)
Direção: Sridhar Rangayan.
Exibido na V Cinema Mostra Aids (2009) e na VII Cinema Mostra Aids (2011).

O filme coloca em cena personagens ignorados pela grande indústria indiana do cinema: um bailarino transexual, um casal gay, um profissional do sexo e um usuário de drogas. Histórias de dor e trauma, felicidade e esperança, a partir de cinco vidas e experiências registradas em 68 páginas do diário de Mansi, uma conselheira cuja exigência ética é a de manter a confidencialidade dos seus casos. Ao tentar ser objetiva na compreensão dos problemas ela não pode envolver-se emocionalmente com nenhuma pessoa que está aconselhando.

 

O UNIVERSO DE KEITH HARRING
(The universe of keith harring, Itália/França, 2008, cor, 90 min)
Direção: Christina Clausen.
Exibido na VII Cinema Mostra Aids (2011).

A mesma atitude generosa que moveu Keith Haring (1958-1990) em sua arte, também valeu para sua atuação no esclarecimento e nas atividades de prevenção a aids depois que o americano se descobriu soropositivo. Inspirado pela ideia da larga reprodução artística e acessibilidade, Haring propagou inicialmente sua arte gráfica numa forma similar de grafite em muros e desenhando com giz nas paredes do metrô da Nova York dos anos 80. O documentário conta a trajetória do artista, inclusive destacando suas passagens pelo Brasil, com participação na Bienal de São Paulo e em um show ao vivo de Ney Matogrosso, quando grafitou um painel. Amigos e admiradores como Yoko Ono, o fotógrafo David LaChapelle e o coreógrafo Bill T. Jones dão depoimentos.

 

STEPHEN FRY E A AIDS
(HIV & Me, Inglaterra, 2007,120 min)
Direção: Ross Wilson.
Exibido na V Cinema Mostra Aids (2009) e na VII Cinema Mostra Aids (2011).

Depois de perder muitos amigos para a aids a partir dos anos 1980, o ator Stephen Fry, roteirista desse documentário, faz uma viagem pessoal pela Grã-Bretanha e tenta entender o porquê do aumento das infecções de aids. O filme concentra-se em universos distintos, de gays, héteros e vários outros grupos, inclusive adolescentes. Há depoimentos fortes, como o de uma mulher que diz ter dormido com vários homens em uma semana e ainda assim afirma não ver nenhuma razão para proteger-se.

 

ROCK HUDSON – BELO E ENIGMÁTICO
(Rock Hudson – Dark and Handsome Stranger, Alemanha/França/Finlândia/Áustria, 2010, 95 min)
Direção: Andrew Davies e André Schäffer.
Exibido na VII Cinema Mostra Aids (2011).

A dupla de diretores revisita a conturbada vida do astro Rock Hudson e o impacto gerado pela descoberta de que o mito masculino de Hollywood era homossexual e portador do vírus HIV. Como lembra um entrevistado, foi a primeira vez que milhões de pessoas ouviram falar da aids e, principalmente, associada a um símbolo de virilidade do cinema. Sua figura de galã em comédias românticas contribuía para reafirmar o mito, lembram amigos, como o escritor Armistead Maupin e especialistas de cinema, enquanto na piscina de casa ele recebia jovens marginalizados. O filme relata a infância difícil, com o abandono do pai, a chegada à metrópole ainda como Roy Harold Scherer Jr. e avança até a agonia final, quando sua assessora mais próxima precisou alugar um Boeing vazio para transportar Hudson de Paris para os Estados Unidos, porque nenhuma companhia aérea queria tê-lo junto a outros passageiros.

 

MEU AMIGO CLAUDIA
(Brasil, 2009, 87 min)
Direção: Dácio Pinheiro.
Exibido na VII Cinema Mostra Aids (2011).

Claudia Wonder (1955-2010) foi uma das travestis mais conhecidas do cenário nacional. Quebrou tabus desde que passou a atuar como artista e ativista na São Paulo dos anos 70, a exemplo dos papéis em filmes da pornochanchada e de sexo explícito. Títulos como Eu Te Amo, de Arnaldo Jabor, legitimaram seu pioneirismo. Também foi a primeira de sua classe a posar nua para uma revista masculina e a tirar a roupa no teatro. O documentário esmiúça sua vida desde o momento em que, ainda como Marco Antonio Abrão, filho de pais jovens e criado pelos tios, começa a se produzir aos 15 anos. O surgimento da aids atravessa seu caminho. Até o fim da sua vida, dedicou-se ao Centro de Referência da Diversidade, instituição administrada pelo Grupo Pela Vidda. Além de entrevistas com a protagonista, há depoimentos de artistas como Grace Gianoukas e Glauco Mattoso. O filme também relembra Caio Fernando Abreu, escritor e grande incentivador que assinou um artigo para jornal intitulado “Meu Amigo Claudia”.

 

DZI CROQUETTES
(Brasil, 2009, 110 min)
Direção: Tatiana Issa e Raphael Alvarez.
Exibido na VII Cinema Mostra Aids (2011).

O premiado documentário resgata a trajetória de um dos grupos mais irreverentes da cena nacional e internacional dos anos 70. Os Dzi Croquettes trabalhavam fazendo shows musicais debochados e contestadores, com números pautados pela liberdade, crítica social e pelo universo gay. Seus integrantes travestiam-se de mulher ou surgiam nos palcos quase nus. Mantinham barbas e deixavam as pernas peludas à mostra, e assim foram para a Europa. A carreira de sucesso chamou atenção de artistas como Liza Minelli, espécie de madrinha da trupe, que dá seu depoimento no filme. Junto com o esgotamento artístico natural de uma empreitada coletiva, que não chega a sobreviver incólume até a década de 80, vieram algumas tragédias. Além de três profissionais assassinados, a aids vitimou outros quatro, entre eles Lennie Dale (1934-1994), bailarino americano líder na formação do grupo ao lado de Wagner Ribeiro, e o cenógrafo Américo Issa, morto em 2001, pai da diretora Tatiana Issa. Parte de um conhecimento muito íntimo este retrato cativante, captado pelas vozes de celebridades como Ney Matogrosso e Marília Pêra, e de alguns de seus protagonistas, como Cláudio Tovar, Bayard Tonelli, Ciro Barcelos, Benedicto Lacerda e Rogério de Poly.

 

DE MÃOS ATADAS
(Tied hands, Israel, 2006, cor, 90 min)
Direção: Dan Wolman.
Exibido na VII Cinema Mostra Aids (2011).

Enquanto o filho bailarino (Ido Tadmor) agoniza trancado em seu quarto, sua mãe viúva (Gila Almagor) sai pela noite de Tel Aviv em busca da única coisa que ameniza o filho da dor provocada pela aids, a maconha. A tarefa não é fácil e gera vários incidentes, como a troca sem querer da erva por coentro numa boate frequentada por gays, ou a investida sem sucesso entre viciados. Em sua viagem noturna, ela começa a conhecer o universo em que o filho homossexual trafegava e assim reduz a distância entre eles.

 

AMOR NO TEMPO DO HIV
(Love in a time of Aids, EUA, 2008, 40 min)
Direção: Beth Jones.
Exibido na VII Cinema Mostra Aids (2011).

Os cinco personagens de diversos países deste documentário estão entre os trinta milhões de pessoas que vivem com HIV em todo o mundo, conforme anuncia a estatística logo no início. O filme aponta a possibilidade da boa convivência com a doença, inclusive com a possibilidade de constituir família. É o caso, por exemplo, do casal inglês Andrew e Michelle, que decide ter um segundo filho pelo processo de fertilização in vitro, com lavagem de esperma, já que ele, hemofílico, contraiu o vírus numa transfusão de sangue quando criança. Também dos russos Zhenia e Volodya, mas aqui num contexto mais radical. Para ter um filho, o marido decide arriscar-se a ser contaminado pela esposa Zhenia, que aos 20 anos se drogou com a agulha de uma amiga infectada.

 

AIDS E PRECONCEITO – OU A PERNALONGA DA HISTÓRIA
(Brasil, 2005, 17 min)
Direção: Wilson Freire.
Exibido na VII Cinema Mostra Aids (2011).

Figura popular e querida da cena alternativa do Recife, o ator Antonio Roberto de Lira, atuava travestido no palco e em filmes experimentais. Bissexual, se descobriu soropositivo em 1987, mas não desenvolveu a doença, o que não evitou que tivesse um fim trágico em 2000. Vítima de um suposto assalto em Olinda durante a madrugada, o ator foi ferido com uma facada e esperou tempo demais por socorro. Na época, questionou-se se a hesitação de testemunhas e moradores em ajudá-lo não teria sido causada pelo conhecimento público de que ele era portador de HIV. Sua ex-companheira Flávia, amigos, colegas de profissão, familiares e médicos dão depoimentos.

 

ESTADO DE NEGAÇÃO
(State of Denial, EUA, 2002, 86 min)
Direção: Elaine Epstein.
Exibido na VII Cinema Mostra Aids (2011).

O estado de negação aqui tanto pode valer para a reação mais imediata dos soropositivos ao se depararem com a descoberta do HIV, como para toda uma nação, no caso a África do Sul, cujo chefe maior à época da realização do filme simplesmente questionava o vírus como causador da aids. Foi preciso muita insistência e protestos de associações engajadas para tirá-lo do poder e implementar uma política de combate à doença. A problemática é ainda mais grave por se tratar de um país que hoje contabiliza cerca de cinco milhões de infectados, um dos quadros mais dramáticos no mundo.

 

ACT UP – MUDANDO A DEFINIÇÃO DE AIDS
(Act Up Oral History Project, 2009, EUA, 27 min)
Direção: James Wentzy e Jim Hubbard.
Exibido na VII Cinema Mostra Aids (2011).

Em 1987, um grupo de aproximadamente trezentos ativistas homossexuais formou em Nova York o Aids Coalition to Unleash Power, ou Act Up. Organizavam protestos e iniciativas de esclarecimento sobre a doença, com alvo principalmente na legislação, pesquisa médica, tratamento e política de saúde. A atividade pioneira foi fundamental para mudar o conceito em torno da aids. Este documentário, parte do programa maior Act Up – Oral History Project, contempla a situação das mulheres infectadas pelo vírus, lésbicas ou não, assim como usuárias de drogas. Ao mesmo tempo em que relembram os preconceitos e barreiras nos anos 80, as ativistas Marion Banzhaf, Heidi Dorow, Maxime Wolfe e Terry McGovern comentam em seus depoimentos a coragem do Act Up, modelo que se tornou referência para o mundo no combate à aids.

 

ESTÃO VOLTANDO AS FLORES
(Brasil, 2009, 51 min)
Direção: Ana Cristina Kleindienst, João Cotrim, Julia Alquéres, Natália Manczyk.
Exibido na VII Cinema Mostra Aids (2011).

Trabalho de conclusão de curso de alunos de jornalismo da Fundação Casper Líbero, o documentário tem como foco os soropositivos com mais de 50 anos, uma faixa etária pouco lembrada quando se aborda a aids. Segundo pesquisa do Ministério da Saúde, realizada entre 1996 e 2006, de acordo com o filme, o número de soropositivos nesta faixa etária aumentou consideravelmente. O filme traça um perfil de cinco soropositivos com um perfil bastante distinto. Alguns vivendo solitários em casas de apoio, outros de classe mais altas, cercados de amor em casa. O filme registra o último depoimento de Norberto Bossolani, morto em novembro do ano passado, aos 77 anos. Coordenador da ONG Grupo pela Vidda, organizadora do Cinema Mostra Aids, Norberto vivia muito bem com seu companheiro e confidente, como mostra o documentário.

 

A HISTÓRIA DE RACHEL
(Rachel’s Story, Inglaterra, 2002, 22 min)
Direção: Chris Smart.
Exibido na VII Cinema Mostra Aids (2011).

Terceira numa família de quatro irmãos, Rachel Whitear cresceu como uma garota típica da classe média do interior inglês. Aos 18 anos, sua vida se transforma. Conhece um rapaz mais velho viciado em heroína, com quem passa a namorar, e torna-se também dependente da droga. A incredulidade de que a filha pudesse estar envolvida com drogas retardam o auxílio da família e Rachel, já na universidade e distante de casa, é encontrada morta por overdose. O curta-metragem documental inclui memórias, como quando a protagonista devolveu à mãe um relógio de ouro pertencente a sua avó para não correr o risco de vendê-lo. Além dos pais, dão depoimento uma das irmãs e a melhor amiga. A imagem mais impactante, no entanto, é uma foto do corpo da vítima ainda no chão de seu quarto com os estragos visíveis do vício, momento que os pais decidiram tornar público com objetivo educativo às novas gerações.

 

DEFENDENDO A VERDADE - ROMPENDO O SILÊNCIO
(Standing-n-truth: breaking the silence, EUA, 2009, 75 min)
Direção: Tim Daniels.
Exibido na VII Cinema Mostra Aids (2011).

Os negros representam 13% da população americana, mas quando se trata de infectados por HIV a porcentagem sobe para 51%. A situação alarmante é refletida por especialistas e depoentes de várias esferas, como a política governamental, com depoimento da congressista Maxine Waters, do escritor Michael Eric Dyson e da atriz Sheryl Lee Ralph. O documentário investiga como diferentes igrejas lidam com o problema da aids. Feito também com vozes anônimas, como homens gays ou um casal de lésbicas, o documentário traz um quadro abrangente e esclarecedor.

 

MANGOSTIM: HIV/AIDS NA MALÁSIA
(Mangosteen – HIV/Aids in Malaysia Malásia, 2006, 14 min)
Direção: Gregory Pacificar, Alzo Slade.
Exibido na VII Cinema Mostra Aids (2011).

Até o final de 2001, contabilizava-se na Malásia 5.500 crianças órfãs em função das mortes por HIV. As mães, em muitos casos, adquiriram o vírus de seus próprios parceiros. São esses dois grupos, as mulheres e seus filhos, os alvos desse documentário pelas vozes de três ativistas mulheres. Especialistas e pessoas comuns falam sobre a relação com a doença, revelando ainda equívocos, a exemplo do rapaz que acredita ser necessário apenas evitar se relacionar com prostitutas para não correr riscos.

 

JANAÍNA DUTRA - UMA DAMA DE FERRO
(Brasil, 2011, 50 min)
Direção: Vagner de Almeida.
Exibido na VII Cinema Mostra Aids (2011).

Janaína Dutra, ou Jaime Cesar Dutra Sampaio, nasceu em 1961 em Canindé, no interior do Ceará, e morreu em 2004, vítima de câncer de pulmão. Sua trajetória, rememorada pelo documentário, inclui a vontade de se tornar mulher, o uso dos primeiros hormônios já em Fortaleza, a rejeição dos familiares e o travestimento, quando ela passa a atuar na defesa dos direitos dos homossexuais e no esclarecimento da aids. Janaína estudou, formou-se advogada e foi a primeira travesti a conseguir uma carteira da OAB, que a reconhecia como Doutor Jaime. Janaína conta as discriminações que sofreu e seu pais e irmãos revelam o processo de aceitação e o respeito que hoje têm por ela.

 


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IX Cinema Mostra Aids
de 26 a 28 de novembro de 2013 no Cine Olido / de 27 de novembro a 1º de dezembro no Centro Cultural São Paulo